Das Doppelgesicht der Gleichgültigkeit (1961)

As duas caras da indiferença (1961)

Siegfried Lenz

Gleichgültigkeit ist eine gewohnte Angelegenheit: sie ist das Schweigen des Raums, das Vergessen, das Unglück, das nie bedauert wird. Sie ist das Achselzucken, mit dem die Zeit unsere Versuche quittiert, unsere Opfer entwertet, unsere Auflehnung zweifelhaft macht.

A indiferença é algo familiar: é o silêncio da sala, o esquecimento, o infortúnio que nunca é lamentado. É o encolher de ombros com que o tempo despede as nossas tentativas, desvaloriza os nossos sacrifícios e lança dúvidas sobre a nossa rebeldia.

Gleichgültigkeit ist eine Verhaltensweise und eine Schutzvorkehrung, sie ist ein Ausdruck schwieriger Freiheit in einer Welt, die unsere Anstrengungen durch einen interesselosen Tod widerlegt, und sie ist die letzte Möglichkeit, unser Schicksal ertragbar zu machen.

A indiferença é um comportamento e uma medida de protecção; é expressão de uma liberdade difícil num mundo que, por uma morte indiferente, refuta os nossos esforços, e é a última maneira de tornar o nosso destino suportável.

Gleichgültig sein, das heißt, der Welt seine leidenschaftliche Aufmerksamkeit zu entziehen, heißt vergessen und stumm verachten zu können, heißt sich unverantwortlich zu fühlen für das, was ist, und für das, was geschieht.

Ser indiferente significa suprimir a apaixonante proeminência do mundo, significa esquecimento, observação impassível, significa sentir-se irresponsável pelo que existe e pelo que acontece.

In der Gleichgültigkeit ohne Hoffnung liegt das Eingeständnis unserer Abdankung: wir geben das Sein sich selbst preis, enttäuschte, wenn auch besonnene Karnevalsprinzen, die die Masken ablegen und sich in ein Exil der vollkommenen Tattenlosigkeit zurückziehen.

Na indiferença sem esperança reside a admissão de nossa renúncia: damos ao próprio ser um valor, decepcionante, como os príncipes carnavalescos que tiram as máscaras e se retiram para o exílio da completa inacção.

Seit je war Gleichgültigkeit die Fluchtmöglichkeit der Unglücklichen, der Unfreien, derer, die sich als zum Leben Verurteilte vorfanden. An den Ufern der reinen oder vernünftigen Gleichgültigkeit landen zumeist Leute, die der Überzeugung waren, daß der schwerste und chancenloseste Beruf Dasein hieß. Sie zogen der Teilhabe an einem Sein voller Unfreiheit und Albträume die heimlichen Freiheiten einer überlegenen Teilnahmslosigkeit vor.

Desde sempre, a indiferença foi a via de fuga dos infelizes, dos não livres, dos que se consideram condenados à vida. Nas margens da pura ou intencional indiferença acabam, na maioria das vezes, pessoas convictas de que a profissão mais difícil e sem perspectivas se chama existência. Preferiram as liberdades secretas de um superior alheamento à participação numa existência privada de liberdade, repleta de pesadelos.

In der Gleichgültigkeit fand der Sklave der Antike seine heimliche Freiheit: den Körper gekrümmt, schweißüberströmmt, die Hacke in die heiße Erde schlagend, arbeitete er, ohne Hoffnung, ohne Erwartung. Die Gleichgültigkeit in seiner Arbeit sicherte ihm die kleine Freiheit während der Pause und während seines Schlafs. Nur solange er die Hacke schwang, fühlte er sich seinem Leben gegenüber fremd.

Na indiferença, o escravo da antiguidade encontrava sua liberdade secreta: o corpo curvado, encharcado de suor, golpeando com a enxada a terra quente, trabalhava sem esperança, sem expectativa. A indiferença no trabalho garantia-lhe uma pequena liberdade durante as pausas e durante o sono. Sempre que manejava a enxada, sentia-se alienado da própria vida.

Das Vergessenkönnen - die elementarste Form der Gleichgültigkeit - spielte eine wichtige Rolle in der Zeit, in der sich jedermann dem Konkurrenzneid der Götter ausgesetzt glaubte: obwohl man ihre lähmende Macht nicht nur vom Hörsagen kannte, baute man Häuser, legte Äcker an, gründete einen Hausstand, heiratete nicht die Häßlichste - im Herzen wissend, daß dies alles einer Einladung an die Götter gleichkam, das Geschaffene zu zerstören. Die Gleichgültigkeit gegenüber den Göttern überwog die Furcht vor ihnen; sie erwies sich stärker als die Vernunft, sie schuf die Illusion, daß man sich das Ziel seines Lebens frei wählen könnte.

A capacidade de esquecer -- a forma mais elementar de indiferença - desempenhava um papel importante numa época em que todos acreditavam estar sujeitos à inveja mútua dos deuses: embora o seu poder paralisante não fosse conhecido apenas por boatos, construíam-se casas, cultivavam-se campos, estabelecia-se um lar, a mulher com quem se casava não era a mais feia - sabendo-se no fundo do coração que tudo isto constituía um convite aos deuses para destruírem o que fora criado. A indiferença em relação aos deuses superava o medo deles; provou ser mais forte que a razão, criou a ilusão de que se podia escolher livremente o objectivo da própria vida.

Schließlich gibt es noch eine Form der Gleichgültigkeit, die, wie Camus sagt, ausreicht, um jedes Schicksal zu überwinden: es ist die Verachtung, die Sisyphos empfindet, sobald er dem hinabgerollten Stein folgt und über seine Lage nachdenkt. Er kennt nicht das Ende seiner Qual, er steigt in die Ebene hinab, um den Felsblock zum Gipfel zu wälzen. Sein Gesicht, das so nahe an Stein ist, wird selber bereits Stein. Darum kann er nicht gedemütigt werden. Durch seine Verachtung lehnt er sich auf, durch seine Gleichgültigkeit gibt er seinem Schicksal eine Grenze.

Por fim, existe ainda uma forma de indiferença que, como diz Camus, é suficiente para superar qualquer destino: é o desprezo que Sísifo sente enquanto observa a pedra que rolou e reflecte sobre a sua situação. Ele não conhece o fim do seu tormento; desce à planície para rolar o bloco de pedra até ao cume. O seu rosto, que tão próximo está da pedra, ele próprio se torna pedra. Portanto não pode ser humilhado. Através do seu desprezo, rebela-se; através da sua indiferença, impõe um limite ao seu destino.

Vielleicht liegt darin die großartigste Tat der Gleichgültigkeit, daß sie einem Schicksal eine Grenze gibt. Der Gleichgültige verzichtet auf jede maßlose Hoffnung. Er weigert sich, mehr anzuerkennen als das, was ihm im Augenblick widerfährt. Vor allem aber lehnt er es ab, fortwährend zu unterscheiden und aus wahrgenommenen Unterscheidungen Schlüsse zu ziehen. Die Art des Erkennens liegt für den Gleichgültigen im Ignorieren; und zwar ignoriert er das Sein, die andern und sogar seinen Henker. Indem aber der Gleichgültige alles ignoriert, wovon er abhängig ist, kehrt sein Denken immer zu einem Punkt zurück: zu der Gewißheit, daß sich keine einzige Tat rechtfertigt, die das Ziel hat, etwas zu ändern. Er ist selbst einverstanden mit der Macht, die ihn vernichtet. Weil er sich keinem verbunden fühlt, gibt es für ihn keine Spannung.

Talvez resida aí o maior atributo da indiferença, o definir um limite para um destino. O indiferente renuncia a toda a esperança sem limite. Recusa-se a reconhecer mais do que aquilo que lhe acontece no momento. Acima de tudo, recusa-se a distinguir constantemente e a tirar conclusões das distinções percebidas. Para o indiferente, a forma de conhecer consiste em ignorar; nomeadamente, ignora a existência, os outros e até mesmo o seu carrasco. Mas, ao ignorar tudo aquilo de que depende, o pensamento do indiferente regressa sempre a um ponto: à certeza de que nenhuma acção que tenha o objectivo de mudar algo se justifica. Ele próprio concorda com o poder que o destrói. Como não se sente ligado a ninguém, não há para ele qualquer tensão.

Das Äußerste, was der Gleichgültige vermag, ist, daß er seinen Henker brüskieren, daß er ihn unschlüssig oder verlegen machen kann, indem er zu verstehen gibt, daß er nichts erwartet, keine Schonung, keine Erleichterung. Darin liegt eine Art von sachlichen Heroismus.

O indiferente permite-se, quando muito, ofender o seu carrasco, torná-lo hesitante ou constrangido, deixando claro que não espera nada, nenhuma clemência, nenhum alívio. Há aí uma espécie de heroísmo sóbrio.

Wir sollten uns allerdings nicht täuschen. Die vollkommene Gleichgültigkeit, für die es als einzige Wahrheit den Tod gibt, gewährt auch eine Möglichkeit zum Glück: sie besteht, wenn man seinem Schicksal eine klare Grenze gefunden hat.

No entanto, não devemos enganar-nos. A indiferença completa, para a qual a morte é a única verdade, também oferece uma possibilidade de felicidade: ela existe quando alguém encontra um limite claro para o seu destino.

Solch eine Grenze indes findet man nur, wenn man sich seiner Zeit entzieht, wenn man die andern sich selbst überläßt, wenn man die Möglichkeit zurückweist, die Angst, die Zuversicht, die Bitternis der andern zu einer eigenen Angelegenheit zu machen. Wer es ablehnt, sich mit der Welt einzulassen, ist zwar weitgehend vor persönlichen Niederlagen sicher, aber es gibt für ihn auch keine Abenteuer mehr. So ist reine Gleichgültigkeit für mich identisch gewesen mit dem Ende des Abenteuers. Wo wir aber ans Ende des Abenteuers gelangen, da gibt es keine Wahl mehr und keinen Irrtum, da gibt es keine Entscheidungen, und vor allem gibt es keine Tat; und hierin, in der Weigerung zu handeln, liegt ein unmenschlicher Zug der Gleichgültigkeit.

No entanto, tal limite só é encontrado quando alguém se retira do seu tempo, quando se deixa os outros por sua conta, quando se rejeita a possibilidade de transformar em assunto próprio o medo, a confiança, a amargura dos outros. Quem se recusa a envolver-se com o mundo está em grande parte a salvo de derrotas pessoais, mas também já não há para ele aventuras. Assim, a pura indiferença tornou-se para mim sinónimo do fim da aventura. Mas quando chegamos ao fim da aventura, já não há escolhas nem erros, já não há decisões e, sobretudo, já não há acção; e reside aí, na recusa em agir, um traço desumano da indiferença.

Deshalb wäre eine Welt von Gleichgültigen eine Welt von tatenlosen Zuschauern, die aus grauen Felsengesichtern von ihren Logenplätzen herabblicken, ohne Erschütterung, ohne Mitleid, Wesen, in deren Adern Lack ist und die, weil sie alles verleugnen, zwar nichts fürchten, aber auch nichts gelten lassen und nichts ablehnen. Dieser Zuschauer gewinnt keinem Angebot einen Geschmack ab, weder der Musik, dem Fleisch, dem Sonett oder dem Laster; anderseits verrät er eine erschreckende Duldsamkeit, die sich ebenso auf den Schmerz erstreckt wie auf die Angst, das Fieber, die Tränen der Kinder und die verlorenen Leiden der Opfer. Das ist die andere Seite der Gleichgültigkeit.

Portanto, um mundo de indiferentes seria um mundo de espectadores inactivos, observando dos seus camarotes com rostos de pedra cinzenta, sem comoção, sem compaixão, seres em cujas veias corre laca e que, porque tudo negam, nada temem, mas também nada aceitam nem recusam. Este espectador não aprecia nada do que lhe é oferecido, nem a música, nem a carne, nem o soneto, nem o vício; por outro lado, revela uma tolerância assustadora, que se estende tanto à dor como ao medo, à febre, às lágrimas das crianças e aos sofrimentos ignorados das vítimas. Essa é a outra face da indiferença.

So verlockend die Gleichgültigkeit erscheint, Freiheit dadurch zu gewinnen, daß man jeder Verbundenheit mit dem Schicksal der andern leugnet, so enttäuschend wird eines Tages die Qualität der Freiheit erscheinen, die man erlangte: die Freiheit des Gleichgültigen ist eine Freiheit des Sklaven. Das hartnäckige Nein an die Welt kann vielleicht dazu erreichen, die Selbstbefragung des Gewissens zum Verstummen zu bringen: in gewissen Augenblicken jedoch wird der Gleichgültige einsehen müssen, daß durch dauernde Tatenlosigkeit die Friedhöfe in die Herzen verlegt werden.

Por mais tentadora que possa parecer a indiferença, a ideia de conquistar a liberdade negando qualquer ligação com o destino dos outros, um dia a qualidade da liberdade que se conquistou parecerá decepcionante: a liberdade do indiferente é uma liberdade de escravo. O obstinado "não" ao mundo pode talvez conseguir fazer silenciar o auto-exame da consciência: em certos momentos, porém, o indiferente terá de reconhecer que, através da inacção persistente, os cemitérios são transferidos para os corações.

Es kommt die Zeit der versteinerten Tränen, der willkommenen Agonie. Auch eine dringende Bedrohung wird nicht ausreichen, sich der Forderung zu entsinnen, die wir zu stellen haben, nämlich die Welt zu verbessern. Und das ist der verhängnisvollste Irrtum des Gleichgültigen: seine Weigerung, das vergebliche, das aussichtslose Opfer anzuerkennen. Denn wenn es einen Reichtum der Geschichte gibt, dann besteht er ausschließlich in der klarsichtigen Vergeblichkeit des Opfers.

Chega o tempo das lágrimas petrificadas, da bem-vinda agonia. Nem mesmo uma ameaça urgente será suficiente para nos lembrarmos da exigência que temos a cumprir, a de melhorar o mundo. E esse é o erro mais funesto do indiferente: a sua recusa em reconhecer o sacrifício fútil, sem esperança. Pois, se existe uma riqueza na história, então ela consiste exclusivamente na evidente futilidade do sacrifício.

Für die Gleichgültigen gibt es nur verlorene, vorzeitig abgebrochene Partien - nun, auch für uns gibt es verlorene Partien, denn unser Acker ist keineswegs das Ewige, doch wir bestehen darauf, die Partie zu Ende zu spielen. Und zwar nicht, weil wir das Aroma der Niederlage auskosten wollen, sondern weil uns die Niederlage eine neue Gewißheit gibt. Der Gleichgültige gibt zu erkennen, daß er für die Schulden der Andern nicht aufkommt - wir entscheiden uns dafür, diese Schulden zu übernehmen.

Para os indiferentes, só existem partidas perdidas, partidas abandonadas prematuramente - bem, também para nós existem partidas perdidas, pois o nosso campo não é de modo algum o eterno, mas insistimos em jogar a partida até ao fim. E não porque queiramos saborear o aroma da derrota, mas porque a derrota nos dá uma nova certeza. O indiferente mostra que não paga as dívidas dos outros - nós decidimos assumir essas dívidas.

Das Programm der Teilnahmslosigkeit ist nicht genug. Das Vergehen des Gleichgültigen, das uns am meisten enttäuscht, liegt in seinem Verzicht auf jeden Protest. Seine Begründung für diesen Verzicht ist die Aussichtslosigkeit der Lage. Nun, das ist allerdings eine Begründung, die zu einfach ist, als daß sie uns überzeugen könnte; mir scheint vielmehr, daß wir erst recht da zum Protest angehalten sind, wo er uns aussichtslos vorkommt. Garantien fordern nur Bankleute oder Dienstboten.

O programa da apatia não é suficiente. A ofensa do indiferente, que mais nos decepciona, reside na sua renúncia a qualquer protesto. A sua justificação para esta renúncia é a falta de esperança da situação. Bem, essa é uma justificação demasiado simples para nos poder convencer; parece-me antes que somos especialmente compelidos a protestar onde nos parece não haver esperança. Garantias só exigem banqueiros ou criados.

Wer sich mit der Welt eingelassen hat, ist darauf angewiesen, nicht nur seine Geschicklichkeit aufzubieten, sondern ständig zu wählen. Die Entscheidung des einzelnen ist mit der Entscheidung der andern verbunden - mit jenen andern, die zu berücksichtigen für den Gleichgültigen ein Luxus ist, ein selbstzerstörerischer Luxus. Am Ende jedoch ist es umgekehrt: die Gleichgültigkeit wird den andern, die sich mit der Zeit verbündet haben, als selbstzerstörerischer Luxus erscheinen, als ein Manifest der philosophischen Zaungäste, die, weil sie sich allem verweigern, im voraus besiegt sind. Sie sind die Verlierer ohne erlittene Niederlage.

Quem se envolveu com o mundo está dependente de não apenas mobilizar a sua destreza, mas também de escolher constantemente. A decisão de cada um está ligada à decisão dos outros - com aqueles outros que considerar, para o indiferente, é um luxo, um luxo autodestrutivo. No entanto, no final é o contrário: a indiferença parecerá aos outros, que se aliaram ao tempo, um luxo autodestrutivo, um manifesto dos espectadores filosóficos que, porque se recusam a tudo, estão derrotados de antemão. Eles são os derrotados sem terem sofrido nenhuma derrota.

Siegfried Lenz — "Das Doppelgesicht der Gleichgültigkeit" (1961). Tradução para português.